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A Galinha dos Ovos de Ouro

um blog sobre tudo e, principalmente, sobre nada

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Novos problemas, velhas soluções

Novos problemas, velhas soluções

 

«Os políticos, em lugar de se ajudarem entre si e uns aos outros nesta tarefa difícil que é administrarem um país, …, tantas vezes se entretêm, em todos os países, a lutar uns com os outros, a desacreditarem-se uns aos outros, como se isso pudesse fazer avançar seja o que for.» ― Agostinho da Silva

 

Por estes dias muitos põem em causa sobrevivência imediata das principais instituições do Estado, até o próprio regime democrático: os recentes processos judiciais envolvendo altos quadros da Administração Pública e ex-governantes parecem ser, para muitos, o início dum longo novelo (previsivelmente enleado com escândalos financeiros e de corrupção), para outros a prova de que as instituições funcionam e de que o adágio «a lei é igual para todos» funciona fora dos livros de Direito.

Os tempos que vivemos favorecem o (re)aparecimento de populismos e populistas, alguns bastante discretos enquanto disfrutam de recentes conquistas e esperam a oportunidade para desferir o próximo golpe (há quem, sem pejo, o tenha já apregoado), abichando-se a novo cargo. Reconhecemos também aqueles que, com ar circunspecto e pose de estadista, explicam que há anos defendem a criminalização do enriquecimento ilícito, no que (tal como noutras matérias) não tiveram respaldo no Tribunal Constitucional.

Claro que nestes tempos difíceis para o País não faltam políticos (no activo ou, alegadamente, retirados da vida político-partidária), travestidos de comentadores e/ou analistas políticos, que reprovam as políticas actuais como se apenas agora tivessem chegado à cena política, como se o seu partido nunca tivesse suportado um Governo, enfim como se tudo fosse novidade e surpresa. Mas, infelizmente, não é: basta folhear um jornal de há 10 anos atrás para atestar que os protagonistas são os mesmos, o discurso é igual, os problemas cíclicos, as soluções estafadas, … apenas o País está diferente, está mais pobre.

 

(in Jornal "A Defesa de Espinho", 22/01/2015)